

As importações se mantiveram firmes em março, compensando a queda da produção doméstica em um mercado já apertado
A maior dependência de fornecedores externos aumentou a exposição a mudanças nos embarques dos EUA
A menor participação do Grupo III nas importações esconde sua importância para o equilíbrio do mercado
Em março, o Brasil manteve importações elevadas de óleos básicos, ajudando a garantir o abastecimento mesmo com a produção doméstica em queda prolongada e um cenário apertado de oferta e demanda.
O total importado ficou em 62,2 mil toneladas, ligeiramente abaixo das cerca de 65 mil de fevereiro, mas ainda 42% acima do mesmo período do ano passado, segundo dados do MDIC.
A dependência de importações aumentou em fevereiro, quando problemas inesperados nas plantas levaram a produção ao menor nível em 27 meses.
As entradas regulares ao longo de março ajudaram a manter os estoques, mas o país segue mais exposto a possíveis interrupções no fornecimento global, além do aumento sazonal da demanda nos Estados Unidos no fim do primeiro trimestre.
Destaques
Importações dos EUA chegaram ao maior nível desde o primeiro semestre de 2025, representando 78% do total, acima dos 74% de 2025.
Entradas da Coreia do Sul superaram 17 mil toneladas, ante menos de 12,5 mil no trimestre anterior, o maior volume em mais de quatro anos.
Importações do Oriente Médio caíram para menos de 13,5 mil toneladas, o menor nível em mais de um ano, apesar do aumento em março dos embarques dos Emirados Árabes Unidos
Óleos do Grupo III representaram 19% do total no trimestre, abaixo dos 23% do trimestre anterior
Impactos no mercado
O Brasil segue fortemente dependente dos EUA, devido à proximidade logística e à disponibilidade consistente do produto.
Essa concentração aumenta a exposição a mudanças nos volumes exportados pelos EUA, especialmente com a demanda doméstica e internacional crescendo ao mesmo tempo.
Por outro lado, a menor participação de outros fornecedores reduz a exposição a interrupções nesses mercados. Mas esses fluxos são majoritariamente de Grupo III, segmento que os EUA têm dificuldade de substituir, e incluem volumes do Oriente Médio, responsáveis por cerca de metade desse total.
Com a expectativa de pausa nos embarques do Oriente Médio nos próximos meses, o impacto pode ser maior do que parece.
Tradução de matéria originalmente publicada no Base Oil News.