

A produção de óleos básicos caiu para o menor nível em dois anos em fevereiro, elevando a participação das importações na oferta para acima de 71% pela primeira vez desde o final de 2023
Mais de 85% das importações foram de origem dos EUA, aumentando a exposição a qualquer restrição na disponibilidade de exportações dos EUA
O aumento da dependência de importações deixou o Brasil mais vulnerável ao aperto da oferta global
A produção de óleos básicos do Brasil caiu para o menor nível em dois anos em fevereiro, aumentando a dependência do país de importações à medida que a oferta global se apertava.
A produção total caiu para 34.000 metros cúbicos (30.000 toneladas), abaixo de mais de 47.000 m³ em janeiro e o menor nível desde o final de 2023, segundo dados da ANP.
A desaceleração refletiu uma menor produção na unidade de Grupo I da Petrobras em sua refinaria Reduc, onde a produção caiu para um mínimo de 27 meses de 26.000 m³.
A planta vinha operando em níveis mais baixos, abaixo de 38.000 m³/mês nos seis meses até janeiro, abaixo de mais de 44.000 m³/mês durante o ano até julho de 2025.
Importações mais altas durante os meses finais do ano passado ajudaram a compensar a produção doméstica mais fraca, com essa tendência se estendendo até fevereiro.
A crescente dependência de importações deixou o Brasil mais exposto a riscos de oferta externa, à medida que as interrupções ligadas ao conflito no Oriente Médio apertaram a disponibilidade global.
Principais destaques
· A oferta total de fevereiro caiu para cerca de 121.000 m³, recuando de mais de 124.000 m³ em janeiro para o menor nível em cinco meses.
As importações representaram mais de 70% da oferta, subindo de cerca de 60% em 2024 e 2025 para o nível mais alto desde o final de 2023.
Mais de 85% das importações foram de origem dos EUA, acima de cerca de 75% em 2024 e 2025.
O consumo de lubrificantes do Brasil em fevereiro caiu pelo quarto mês consecutivo em termos anuais, amortecendo o impacto da menor oferta.
Oferta e demanda praticamente se igualaram em fevereiro, após um pequeno déficit em janeiro.
Repercussões de mercado
A menor produção de óleos básicos do Brasil indicou problemas contínuos de produção na refinaria Reduc.
Mesmo com a demanda mais fraca, qualquer prolongamento da desaceleração da produção manteria a já elevada dependência do país de importações.
Essa dependência foi mais administrável nos últimos meses, com o Brasil oferecendo uma saída para excedentes dos EUA durante os meses de inverno.
A dependência de importações dos EUA pode se tornar mais problemática nos próximos meses, à medida que a demanda sazonal nos EUA aumenta e as refinarias priorizam a produção de combustíveis para motores, reduzindo o excedente disponível para os mercados de exportação.
Qualquer desaceleração nos fluxos dos EUA deixaria o Brasil competindo com outros mercados por um volume menor de cargas de exportação.
Tradução do artigo original publicado em inglês pelo Base Oil News.